Feusp-2008 EDF-119 História da Educação Medieval
Aula 20-05
Agostinho, a memória, o sermão etc.
Uma visão geral de Agostinho: conferência de Julián Marías
Agostinho Educador: artigo da Profa. Terezinha de Oliveira
A importância da Memória para Agostinho e a Educação Medieval - Prof. Dr. Ricardo da Costa
Agostinho e a Alegoria - Por que 153 peixes?
Alguns Textos Clássicos de Agostinho
A função educadora do Sermão
Agostinho: sermão: "A devastação de Roma" sermão sobre "O Filho Pródigo"
Memória: o homem, o ser que esquece (é o tópico 2 da página linkada)Jerônimo
Jerônimo e o caráter alegórico dos nomes da BíbliaS. Isidoro de Sevilha
As Etimologias S. Tomás de Aquino e as etimologias de nosso quotidiano
Isidoro e o jogo das diferençasVoltar à página do cursoA explicação do fato de serem 153 peixes é a que costumo fazer-vos [todos os anos na missa de 6a. f. da Páscoa] e muitos tomam-me a dianteira; no entanto, eu vou repeti-la solenemente. Muitos esqueceram; e alguns nem a conhecem. Já aos que não esqueceram, peço paciência e consideração para com os que esqueceram ou ignoram. Quando dois andam por um caminho e um é mais rápido e outro mais lento, está em poder do mais veloz que não deixem de caminhar juntos .
Agostinho e a Alegoria - Agostinho e os Números na Biblia: por que 153 peixes?
Agostinho sobre a alegoria:
Chama-se alegoria a palavra que soa de um modo, mas acaba significando outra coisa diferente. Por exemplo, Cristo é chamado cordeiro (Jo 1,29); acaso é Ele animal? Cristo é chamado leão (Apoc 5,5); acaso é Ele fera? É chamado pedra (ICor 10,4); acaso é Ele dureza? É chamado monte (Dan 2,35); acaso é Ele elevação de terra? E, assim, há muitas palavras que soam de um modo, mas são entendidas de outro e a isto se chama alegoria (En. 103, 13).
Agostinho e os 153 peixes
Estes 153 são 17. !0 mais 7. 10 por quê? 7 por quê? 10 por causa da lei, 7 por causa do Espírito. A forma septenária é por causa da perfeição que se celebra nos dons do Espírito Santo. Descansará -diz o santo profeta Isaías- sobre ele, o Espírito Santo com seus 7 dons (Is 11,23) etc. Já a lei tem 10 mandamentos etc. etc.Se ao 10 ajuntarmos o 7 temos 17. E este é o número em que está toda a multidão dos bem-aventurados. Como se chega, porém, aos 153? Como já vos expliquei outras vezes, já muitos me tomam a dianteira. Mas não posso deixar de vos expor cada ano este ponto. Muitos já o esqueceram, alguns nunca o ouviram. Os que já o ouviram e não o esqueceram tenham paciência para que os outros ou reavivem a memória ou recebam o ensino. Quando dois são companheiros no mesmo caminho, e um anda mais depressa e o outro mais devagar, está no poder do mais rápido não deixar o companheiro para trás. (...) Conta 17, começando por 1 até 17, de modo que faças a soma de todos os números, e chegarás ao 153. Por que estais à espera que o faça eu? Fazei vós a conta"(Sermão 250, 3) E perguntei à terra e ela me disse: "Não sou eu" e todas as coisas que nela há confessaram-me o mesmo. Interroguei o mar e os abismos e os répteis que me responderam: "Não somos teu Deus, busca-o acima de nós". Perguntei ao céu, ao sol, à lua e às estrelas: "Nós tampouco somos o Deus que procuras", responderam-me. (X,6). Alguns textos clássicos de Agostinho
Fizeste-nos, Senhor, para ti...
"Grande és, Senhor, e imensamente louvável (Sl 144,3); grande teu poder e incomensurável tua Sabedoria (Sl 146,5)". E pretende o homem, pequena parte de Tua criação, louvar-Te? Logo o homem, revestido de sua mortalidade, revestido do testemunho de seu pecado e do testemunho de que resistes ao soberbo (I Pe. 5,5)? E apesar de tudo isso quer louvar-te o homem, pequena parte de Tua criação. Tu mesmo o moves a isso, fazendo com que se deleite em louvar-Te, pois fizeste-nos, Senhor, para Ti e nosso coração está inquieto até que descanse em Ti. (Fecisti nos domine ad te et inquietum est cor nostrum donec requiescat in te) (I,1).Quem me dera repousar em Ti!
Quem me dera repousar em Ti! Quem me dará que venhas a meu coração e o embriagues, para que esqueça meus males e me abrace a Ti, meu único bem? Que és tu para mim? Apieda-te de mim e ajuda-me para que eu To possa dizer. Que sou eu para Ti, para que ordenes que Te ame, senão Te aborreces e me ameaças com grandes misérias? Acaso já não é a maior desgraça o próprio fato de não amar-Te? Ai de mim! Dize, pelas tuas misericórdias, Senhor meu Deus, o que és para mim? Dize a minha alma: "Eu sou a tua salvação" (Ps. 34, 3). Fala assim, Senhor, de modo que eu ouça. Vê, os ouvidos de meu coração estão diante de Ti, abre-os e dize a minha alma: "Eu sou a tua salvação". Que eu corra atrás dessa voz e possa Te alcançar. Não escondas de mim o Teu rosto. Que eu morra para que viva eternamente para ver tua face. Estreita é a casa de minha alma para que venhas a ela: dilata-a Tu! Está despedaçada: refaze-a Tu! (I,5).A busca de Deus no interior da alma
(E no mais recôndito da alma, Agostinho encontra a Verdade e o Bem. Deus é, pois, íntimo e transcendente ao homem: ...)Nosso descanso, nosso lugar. (Requies nostra, locus noster). O corpo, por seu peso, tende a seu lugar. O peso não arrasta só para baixo, mas para o seu lugar: o fogo tende para cima; a pedra, para baixo. O peso move, dirigindo a seu lugar. O óleo derramado na água fica sobre ela; a água derramada no óleo se situa por baixo: cada um movido por seu peso tende a seu lugar. O que está fora de lugar está inquieto; dirige-se a seu lugar e aquieta-se... Meu peso, meu amor (Pondus meum, amor meus); aonde quer que eu vá, por ele sou levado (XIII,9). Tarde te amei...
Tarde Te amei, ó formosura tão antiga e tão nova, tarde te amei! (Sero te amavi, pulchritudo tam antiqua et tam nova, sero te amavi!). E eis que estavas dentro de mim e eu fora, (Et ecce intus eras et ego foris) e fora te buscava, errante pelas coisas tão belas que fizeste. Estavas comigo, mas eu não contigo. (Mecum eras et tecum non eram). Distraíam-me de Ti as coisas, que não têm ser senão em Ti. Chamaste e clamaste, e rompeste a minha surdez; brilhaste, refulgiste e afugentaste minha cegueira; exalaste Teu perfume e respirei e anseio por Ti; saboreei-Te e tenho fome e sede; tocaste-me e abrasei-me na Tua paz. (X,27)Lei da gravitação das almas